sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

E-mail sem identificação

Quando enviar o artigo para análise, encaminhe-o com uma mensagem de identificação no corpo do texto. Recebi uma mensagem há pouco tempo apenas com assunto e o arquivo em anexo. 
Revejam e reenviem, por favor, com uma mensagem informando: do que se trata, nome dos membros, turno (preciso saber destes dados antes de abrir o anexo).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

SOBRE OS ARTIGOS

Percebi que dois grupos mudaram o objeto de estudo (alteraram o livro ou o filme). Infelizmente, isso não será possível, já que o propósito da atividade é fazer com que vocês sempre voltem para o mesmo texto para melhorá-lo. Deste modo, as mensagens que foram enviadas com novos livros ou filmes analisados NÃO serão consideradas.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Encontro sobre Literatura Infantil na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mesmo que não possam ir, vale a pena ver o que está sendo discutido em outros espaços. Confira o site:

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Verossimilhança e Verdade significam a mesma coisa?

O texto abaixo de autoria de Gustavo Bernardo, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, foi publicado pela Revista Eletrônica do Vestibular do Departamento de Seleção Acadêmica da UERJ. O artigo trata de um conceito importante dentro da narrativa: a verossimilhança. Veja como o conceito é apresentado em linguagem fácil e humorada.
Por que a verossimilhança é melhor do que a verdade?

Ano 3, n. 9, 2010

Há milênios, Aristóteles afirmava: é melhor o verossímil que convença à verdade que não convença.
A tese aristotélica é bem demonstrada no curta-metragem “Mentira”, de Flávia Moraes, realizado em 1989 a partir de um conto de Luís Fernando Veríssimo.
Um marido pacato volta para casa do trabalho, mas demora mais do que o previsto no engarrafamento. Para piorar, o pneu do carro fura. Ele o troca com dificuldade. Quando acaba de pôr o pneu furado e o macaco na mala, sua aliança de casado escorre do dedo, rola pelo asfalto e mergulha no bueiro. E agora: o que ele vai dizer em casa?
Imagina-se dizendo toda a verdade, mas visualiza a mulher chorando e gritando que só uma mulher muito burra acreditaria naquela história, que é mentira, que na verdade ele perdeu a aliança no carpete felpudo do motel onde se divertia com a amante!
Não. A verdade não convence.
Quando chega em casa, o homem não diz nada, esperando a mulher perceber a falta da aliança. No jantar, a mulher de fato pergunta o que aconteceu com a aliança. Ele responde que não vai mentir: perdeu-a no carpete felpudo do motel onde estava com a amante e por isso mesmo vai entender se ela achar que o casamento acabou.
A mulher sai em silêncio da sala, segurando o choro. Depois de uma meia hora, ela retorna, calma, contida, embora com os olhos vermelhos, dizendo em voz baixa que o casamento deles está passando por uma crise, mas os dois juntos têm como superá-la, se quiserem muito. Então, com medo, ela lhe pergunta se ele quer; ele responde que “sim, claro, meu bem” e daí eles se abraçam.
The end, ou melhor: a happy end.
Alfred Hitchcock demonstrou a mesma ideia no filme “Os 39 degraus”, de 1935.
O herói pretende fugir de alguns bandidos disfarçado de leiteiro. Procura convencer o leiteiro verdadeiro a trocar de roupa com ele, mas conta a verdade: viu uma mulher ser assassinada no escritório por bandidos internacionais, essa mulher era uma espiã, os assassinos o estão perseguindo. O leiteiro não acredita em nada e não se dispõe a ajudá-lo.
O herói então muda a história, admitindo que mentiu: na verdade tivera uma aventura amorosa com uma bela mulher no seu escritório, mas agora precisa se esconder do marido dela: ele o espera, armado, do lado de fora. O leiteiro dá uma gargalhada e exclama: “homem, por que não disse antes? Agora entendo tudo!”. Imediatamente tira sua roupa de trabalho e a entrega ao outro, contente de poder ser solidário naquela situação.
A esposa – que não foi enganada, mas acha que foi – e o leiteiro – que foi enganado, mas acha que não foi – representam o espectador e o leitor, que não querem a verdade mas sim o verossímil. A verdade tem o mau hábito de parecer inverossímil, isto é, de não parecer verdadeira.
A solução cabe bem à arte poética, mas pode gerar uma reação indignada naquelas pessoas que prezam muito a sinceridade: então é melhor mentir do que dizer a verdade?
A indignação não é boa conselheira, ela costuma simplificar demais os problemas: tudo se torna ou certo ou errado, ou verdade ou mentira, ou realidade ou ficção, quando a realidade mesma é muito mais complicada – por exemplo, nossa ficção sempre parte da realidade, nossa realidade é sempre construída por inúmeras ficções.
De fato, a verossimilhança não é igual à verdade, mas também não é igual à mentira. A verossimilhança se assemelha à verdade mas não se confunde com ela, representando antes a vontade da verdade do que a verdade mesma. Como já dissemos em outra crônica, nunca temos acesso à verdade completa, logo, a verdade é sempre não-toda. Entretanto, o fato de não termos acesso pleno à verdade não diminui a nossa vontade de sermos verdadeiros e a intensidade da nossa busca pela verdade.
A verdade mais importante daquele marido não era “perdi a aliança no bueiro”, mas sim: “eu não quero perder a minha mulher”. Certo de que a verdade não funcionaria, ele inventa uma história verossímil que, a despeito de envolver uma traição imaginária, funciona, ou seja: salva o seu casamento e até o revigora.
A verdade mais importante do herói de Hitchcock não era a de contar para o leiteiro o crime que testemunhou, mas sim a de arranjar rapidamente um disfarce para escapar dos assassinos. A segunda versão convence o leiteiro de ajudá-lo e ainda o deixa feliz por ser cúmplice de uma aventura masculina.
A superioridade da verossimilhança em relação à verdade pode ser demonstrada por outra via. Todo mundo conhece aquele tipo de pessoa que se gaba de dizer a verdade todo o tempo, doa a quem doer. Ora, se é verdade que essa pessoa só diz a verdade e toda verdade que lhe vem à cabeça, com certeza podemos considerá-la, na melhor das hipóteses, uma pessoa muito grosseira. Quem diz a sua verdade o tempo todo revela simplesmente falta de educação.
Se desejo conviver com as outras pessoas, minha verdade mais profunda tem a ver com esse desejo e não com a minha constatação de que Fulana estaria mais gorda ou mais velha. Logo, um comentário verossímil será aquele que traduza minha verdade profunda, e não um outro que se compreenda como uma ofensa ou uma grosseria.
Por isso, o poeta precisa ser um fingidor, fingindo a dor que deveras sente – como comentaremos na próxima crônica.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Quadro Provisório - Vídeos e Artigo





Como o nome já diz, trata-se de um quadro provisório dos artigos e vídeos encaminhados. Caso alguém tenha enviado e não conste na lista, favor inserir no comentário nesta postagem o pedido de inclusão com os nomes dos membros, o link do youtube e o título do artigo a fim de que possa localizar em meus arquivos. Caso ainda não tenham enviado, isto é, seja a primeira vez, ou se estão em fase de ajustes, favor encaminhar todos os dados diretamente para ltleiro@gmail.com .

A narrativa nos vídeos

Vimos em sala de aula que o narrador (ou narradora) é um elemento importante da narrativa, mas ele não se apresenta com a mesma força no texto encenado.

Na linguagem escrita, a presença do narrador é fundamental para a condução da trama porque é ele quem apresenta as personagens, descreve ambiente, enfim conduz a fábula, juntamente com as ações das personagens. No teatro e no cinema, o narrador tem presença quase nula, principalmente no primeiro, já que o cenário, a ação das personagens "dizem" ao espectador, descrevem a cena, em suma, eles não precisam da mediação do narrador para situar o espectador.

Os vídeos que vocês postaram (não todos) estão muito centrados no narrador. Em algumas produções, ele até compõe a narrativa de forma criativa, mas em outros chega a ser cansativo, explicativo, muito mais próximo de  uma aula expositiva. Sejam menos professoras(es)...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Menino Nito, de Sonia Rosa


Vídeo para discussão de gênero

NOVAS ORIENTAÇÕES

1. Os artigos que vocês estão me entregando, deixarei como  terceira nota (por isso vocês deverão mudar o tom, a linguagem - de mais informal para mais formal). Quem me entregou no prazo, deverei estar devolvendo até segunda-feira 13/12 com as minhas observações. Essas pessoas devem me retornar -segunda versão-até o dia 20/12.

P.S.: Quem ainda não me entregou poderá fazê-lo até o dia 15/12. Devolvo no dia 19/10 para ajustes. A segunda versão deverá ser entregue até o dia 23/12.

Se ainda assim os artigos não estiverem a contento, retornarão para as mãos de vocês até eu achar que está "no ponto".

2. Os vídeos que não estiverem legíveis, audíveis, serão orientados para serem refeitos. Tenham apenas cuidado porque se trata de um trabalho de equipe e uma atitude individual pode trazer transtornos para o grupo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Orientações dobre o ARTIGO


O artigo cientítico deve iniciar pelo título (seguido de subtítulo, se houver), nome dos autores, epígrafe (se houver e colocado à direita), resumo, palavras-chave, texto, referências ou referências bibliográficas. A referência diz respeito a qualquer fonte. Já a referência bibliográfica refere-se especificamente aos livros. Assi temos esquematicamente:

elementos pré-textuais: título, nome dos autores, epígrafe, resumo, palavras-chave

elementos textuais: tudo que faz parte do seu texto

elementos pós-textuais: referências, anexos, etc.

Postagens dos Vídeos

Alguns vídeos já foram postados. Vejam no link abaixo:

Onde se lê... leia-se

Na sala de aula, do curso noturno, havia mencionado o nome do filósofo inglês Locke (John Locke) vinculando-o à corrente utilitarista . Na verdade, Locke defendia o empirismo (século XVII). O utilitarismo (século XVIII-XIX) era defendido por Stuart Mill.  

Comunicado

Quando eu dilatei o prazo de entrega dos vídeos e dos artigos era apenas para que vocês fizessem os últimos retoques  das produções e não começassem a fazer a partir da véspera. Se vocês me entregam na véspera ou no dia, com que tempo eu fico para avaliá-los e vocês para refazê-los?  É justo que eu aumente o prazo para vocês e não aumente para mim, para a avaliação? Que individualismo é esse?!

Atendi ao pedido de vocês e ampliei o prazo de entrega, o que obviamente, por efeito dominó, amplia também o meu prazo para avaliá-los. Terão de ter paciência e esperar, como eu tive. Pensem no tempo que eu preciso para ler todos os textos com cuidado como deve ser qualquer análise de texto.

Dilatei o prazo para que fizessem com mais atenção o que foi pedido. A ampliação foi para a minha disciplina. Se vocês utilizaram esse tempo para atender a outras demandas, a escolha foi de vocês e, portanto, devem assumir a inteira responsabilidade por ela.

Outro primeiro filme de animação


Emile Reynaud - Pauvre Pierrot (1892)

Segundo Luiz Felipe Vasquez, em seu blog, no link http://omalhumorado.blogspot.com/2009/11/emile-reynaud.html ,
"Emile Reynaud foi um pioneiro da Animação. A poucos anos antes dos Irmãos Lumiére apresentarem a primeira sessão de cinema, Reynaud se apresentava com desenhos animados por ele mesmo, em máquinas ópticas de sua criação para seu público. Até onde sei, ele era uma espécie de one-man show, que dos desenhos à bilheteria, ele estava em todas.
 Ao ver a projeção dos Lumiére, e entendendo que o processo deles era bem mais rápido, acreditou estar obsoleto e anteviu sua própria falência. Em um ataque de depressão, pegou toda a sua obra - filmes e maquinário - e jogou no Sena."


Winsor McCay - 1911 - Little Nemo. As primeiras experiências com animação. Imperdível. Além do making off do desenho, o curta mostra muito mais coisas. Aguce o olhar e veja...

O primeiro desenho animado



O filme de animação Gertie the Dinosaur (Winsor McCay, 1914)é considerado a primeira animação do cinema.

Pensando ainda daqui pra acolá...


A música de Gilberto Gil nos faz pensar, ainda, de uma forma conotativa, metafórica, o que representaria em nossa vida, a nesga, o vão, o lugar confortável e, em contraste, a amplidão, o folgado, a imaginação, a emoção (metáfora para coração).


Este lugar confortável pode nos lançar para os ilimitados passeios da nossa imaginação.

A música emociona, nos toca intimamente, indo na contramão do que a sociedade aponta, isto é, para uma desumanização, uma ausência de sentir, que a arte resgata e devolve ao ser humano em momentos raros como esse.


Precisava acrescentar isso: a arte emociona, nos faz lembrar de nossa humanidade e, portanto, naquilo que nos coloca em uma mesma condição. Daí, talvez, a sua universalidade.

Entre a Sola e o Salto, de Gilberto Gil, nos chama a atenção para um sentir pelo olhar, mas um olhar contemplativo, sem pressa, que possa captar a grandeza, a maravilha, o encantamento presente nas pequenas coisas.


Pensei no gesto da leitura: a nesga seria o próprio espaço limitado da palavra, presa, materializada na celulose ou na tela e a amplidão estaria nas possibilidades várias de significação, de sentidos engendrados pelos diferentes leitores.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Passar dali pra acolá

Os versos da poesia de Gil, quanto a tonicidade, são construídos alternando o tom agudo do grave. Nas rimas emparelhadas, como ocorre na primeira estrofe da letra da música, de estrutura aabb, as rimas aa são femininas (terminam em palavra paroxítonas ou graves) enquanto a bb são masculinas (terminam em palavras oxítonas ou agudas). Assim, as escolhas sobre a tonicidade não foram aleatórias, considerando que o instante captado pelo olhar sugere a relação entre um eu-masculino que capta um objeto-feminino. Dentro das convenções de gênero, um homem olha uma mulher ou, pelo menos, um acessório que ela usa.
Ainda em relação a tonicidade, vale ressaltar a ausência de rimas esdrúxulas, isto é, formada por terminações proparoxítonas.
Quanto a sonoridade, os quatro primeiros versos são considerados perfeitos porque a sonoridade das palavras são semelhantes (janela/dela-chão/vão). As rimas imperfeitas não aparecem na letra porque exigiria uma composição de rimas com sons diferentes, embora com alguma semelhança. Ex.: seu/céu
A sonoridade perfeita dos versos contribuem para uma maior apreensão do texto, da sua internalização. Esta simplicidade não contrasta com o seu conteúdo, já que o seu conteúdo mostra a simplicidade, a espontaneidade, de uma cena cotidiana, mas ao mesmo, paradoxalmente, de possibilidades complexas de interpretação. A singeleza do poema e do instante são marcados também pela circularidade melódica da música, o que reforça a ideia de uma música feita para agradar de imediato o ouvinte.
Já quanto ao valor, o poema do músico baiano mostra variedades, alternando entre as  rimas ricas e pobres. Não há ocorrência de rimas raras ou preciosas, isto é, “quando a rima acontece entre palavras de difícil combinação melódica” e quando as “rimas [ocorrem] entre verbos na forma verbo-pronome com outras palavras”, respectivamente. Em relação às rimas pobres, podemos perceber que elas ocorrem no uso dos pares abrigo/perigo (são ambos substantivos). Já apresentam rimas ricas quando usam os pares lugar/acolá. O uso das rimas ricas e pobres de forma alternada mostra a versatilidade do poeta e, quiçá, para além da denotação, a consciência de uma realidade social pautada na complexidade de valores,  já que coloca em uma mesma realidade textual agrupamentos distintos, de valores distintos.
Percebemos que as rimas, responsáveis pela sonoridade do poema, são mediadoras entre o texto e o leitor, já que é através desse recurso que se pretende provocar um efeito de prazer durante a leitura. Segundo Maurício Silva, em seu artigo Poesia infantil contemporânea: dimensão lingüística e imaginário infantil:

Embora o texto de Gil não seja voltado para a criança, podemos, no entanto, intuir que a facilitação no plano estrutural, ou melhor dizendo, a mediação no plano da estrutura, contribui para a fluência, a passagem para o nível mais abstrato, já que o poema é marcado por referências simbólicas, sugestivas, que aguça a imaginação do ouvinte-leitor tal qual a experiência do eu-lírico. O olhar de um eu diante da janela da imaginação que capta o delimitado, restrito espaço entre a sola e o salto e o transforma em um universo, amplo, sem fronteiras, onde somente a imaginação pode alcançar. Um salto para a uma experiência sensorial, sinestésica, a partir de olhar contemplativo, imaginativo, que se lança prazerosamente ao seu objeto contemplado, a meu ver, já deformado de sua apreensão original, se é que houve em algum momento.
A par dos efeitos sonoros causados pela aliteração recorrente, o que sugere uma musicalidade intrínseca ao poema, do ponto de vista estrutural percebe-se um trabalho voltado para o universo lúdico da criança, já que os versos são todos rimados, em geral com rimas emparelhadas, escritos em redondilhas maiores, mais apropriadas à musicalidade e à memorização. Tudo isso mantém a unidade do poema, até visualmente sugerida.

Dizer sem dizer: a força figurativa, simbólica da poesia de Gilberto Gil



Entre a Sola e o Salto
Alcione
Composição: Gilberto Gil


Vê, por aquela janela
Entre a sola e o salto do sapato alto dela
Vê, por ali pelo vão
Entre a sola, o salto do sapato alto dela e o chão
 Vê,
Como existe um abrigo
Entre a sola e o salto do sapado alto
Contra o perigo
Do orgulho, da ilusão
Basta um centímetro prum grande coração
No espaço ali embaixo
Entre a sola e o salto existe a imensidão
 Vê,
Como cabe folgada
A imensidão do olhar
Numa nesga do chão
Num pedaço de calçada
 Vê,
Que há bastante lugar
Prum coração
Chegar ali, ficar ali, passar dali pra acolá
Ê ê quanto amor
No espaço embaixo do sapato dela
Ê ê quanto amor
No abrigo embaixo do sapato dela
Ê ê quanto amor
No teto embaixo do sapato dela
Ê ê quanto amor
Na tenda embaixo do sapato dela
Ê ê
Recebi, pelo Orkut, a seguinte mensagem:

LANÇAMENTO DO VÍDEO DOCUMENTÁRIO ILÊ AXÉ, ESPAÇO DE FÉ, SAÚDE E RESISTÊNCIA QUE EU, ROBSON DY CORREA, ESTOU DIRIGINDO.
LOCAL: ESPAÇO CULTURAL DA CÂMARA DE VEREADORES
DATA:10/12/2010.
HORAS:14hs.
A ENTRADA É FRANCA. NÃO PERCAM!
Vale a pena conferir.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Literatura Infantil e Juvenil

Considera-se infância o "período da vida que é legalmente definido como aquele que vai desde o nascimento até os 12 anos, quando se inicia a adolescência." Com isso, podemos definir a literatura juvenil como aquela destinada a um público a partir desta idade. Para além da questão temporal, a literatura infantil possui elementos que são pensados para o seu público, o mesmo acontece com a literatura juvenil. É importante definir a idade aproximada do leitor para que possamos selecionar com mais critério os textos que sugerimos para a leitura dos alunos.

VIDEOS

Tenho recebido alguns vídeos que merecem revisão.
Sugiro que as gravações sejam feitas em espaço fechado. O contato entre microfone e vento provoca um barulho que torna inaudível o diálogo das personagens. Revejam.
Observem que as crianças são muito exigentes, portanto, vejam bem os diálogos, a colocação da voz, a posição das personagens no cenário, a narrativa e o tratamento dado a ela(se é interessante para este público infantil ou juvenil) 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

TEXTO LITERÁRIO - CRIAÇÃO

Está suspenso, por enquanto, o texto literário que vocês deveriam produzir, já que devem priorizar o artigo de crítica.

3ª. CHAMADA DE TRABALHOS - FRONTEIRAZ

Recebi a mensagem abaixo por e-mail. Vejam como as literaturas infantil e juvenil estão sendo importantes atualmente.
A Comissão Editorial da Revista FRONTEIRAZ abre chamada de trabalhos para  o seu sexto número, cuja temática central é  "Literatura Infantil e Juvenil na Contemporaneidade". Os trabalhos devem ser encaminhados até o dia 10 de janeiro de 2010 para o endereço revistafronteiraz@gmail.com
As normas de publicação podem ser consultadas no site da revista http://www.pucsp.br/revistafronteiraz  e os trabalhos selecionados serão publicados na sessão de "Artigos".
Aproveitamos para divulgar o número 5 da Revista FronteiraZ,  que pode ser conhecido por meio do acesso a www.pucsp.br/revistafronteiraz.
Esperando contar com a valiosa colaboração de pesquisadores dessa Instituição,
Cordialmente,

sábado, 4 de dezembro de 2010

APONTAMENTOS SOBRE ESTRATÉGIAS DE PRODUÇÃO DE TEXTO

Muitos se perguntam: como começar um texto? Eu respondo: de qualquer jeito, mas, podemos racionalizar isso. Vejamos alguns procedimentos comuns. Digamos que o tema seja literatura infantil.

O tema é amplo, claro, e não pode ser escrito em 50min. Como sintetizar séculos em minutos? Essa é a angústia que acomete qualquer um estudante diante de um tema amplo, mas o que ele deve fazer então? Recortar.

O recorte é um termo muito empregado em pesquisa. O aluno tem um problema para discutir, mas sabe que não terá fôlego suficiente para desenvolver durante aquele período. Deste modo, ele deverá delimitar, reduzir o seu campo de estudo. 

Ex.: ao invés de literatura infantil, estudar literatura infantil no Brasil ou ainda literatura infantil na Bahia, em Salvador ou na Fonte do Capim.

No entanto, o que motiva mesmo a escrita não é apenas um tema, mas um problema em torno do tema.

Ex.: a literatura infantil ocupa lugar central na vida cotidiana das crianças e adolescente que moram na Fonte do Capim?

Com o tema e o problema, o estudante-pesquisador (permitam-me a redundância, pois todo aluno deve ser pesquisador) se perguntará: como vou fazer para ter essa resposta?

Ex.: entrevistar crianças e adolescentes no bairro, entrevistar pais e professores, identificar se existe espaços que incentivem a leitura de livros literários, etc


Em seguida virá "a pergunta que não quer calar": Que conceitos devo conhecer e acionar no momento de interpretar os dados?

Ex.: conceito de literatura infantil, a história da leitura, conceito de leitura, entre outros que só poderão ser definidos com os dados levantados.

Agora vem o texto propriamente dito. O aluno pode começar um texto:

a) Através da própria pergunta que o motivou a pesquisar. Essa estratégia lança diretamente para o leitor a inquietação do autor que, por sua vez, tentará responder ao longo do texto. Ele poderá responder diretamente com um "sim" ou "não" ou fará um mistério em torno de sua resposta, isto é, não responde, protela a resposta com outras perguntas ou com outras estratégias.

Ex.: A literatura infantil ocupa local central na vida cotidiana das crianças e adolescente que moram na Fonte do Capim? Não. É essa a realidade das crianças e adolescente que vivem em um bairro (dar as características do bairro)...

Ou

A literatura infantil ocupa local central na vida cotidiana das crianças e adolescente que moram na Fonte do Capim? Como vivem as crianças da Fonte do Capim? De que forma elas desenvolvem as sua potencialidades cognitivas? Há tempos venho querendo trabalhar com as crianças de um dos bairros mais populosos da região da Fazenda Grande: Fonte do Capim.

b) Com uma citação de uma autoridade da área:

Ex.: "A literatura e, em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor/livro, seja no diálogo leitor/texto estimulado pela escola." Nelly Novaes Coelho citou o referido texto em seu livro Literatura Infantil: teoria, análise, didática, publicado pela primeira vez nos anos 80. Se a literatura tem esse papel e se as crianças da Fonte do Capim não tem acesso a literatura, podemos concluir que outras linguagens estão cumprindo esse papel. Mas qual ou quais?

c) Dados estatísticos: com esse início, o autor vai tentar articular os dados quantitativos aos qualitativos.

Ex.: 90% das crianças do Brasil não tem acesso aos livros de literatura infantil, afirma "x" (nome do órgão que divulgou os dados). No bairro da Fonte do Capim não é diferente, já que 98% das crianças nunca tiveram acesso a livros de literatura infantil (esses dados só poderão ser coletados com um questionário).

d) Conceito: um conceito traz uma ideia abstrata referente a essência daquele objeto (diz o que é), o que o caracteriza, para em seguida ser aplicado a uma realidade.

Ex.: Literatura infantil é um conjunto de textos que, através de uma linguagem literária, se dirige a um público infantil e juvenil. (caso queiram ampliar, poderia especificar mais informando o que caracterizaria uma linguagem literária e delimitar as fronteiras do infantil do juvenil. A isso chamamos de desdobramento de ideias, quando, a partir de termos amplos, chegamos aos mais específicos, levando-nos imediatamente a nos perguntar: e o que é isso? o que caracteriza? como identificá-lo? quando surgiu? onde? através de quem?

Continuarei com a parte II

ATIVIDADE PARA A SEMANA

A fim de articular a teoria à prática, vamos debater o livro de Maria José Palo a partir de um livro de literatura infantil. Vamos continuar com os trabalhos em grupo. Escolham um livro, resuma-o para o grupo (contar a historinha) e depois analise com base em algum aspecto tratado no livro Literatura Infantil: Voz de Criança.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PROJETOS DE MONITORIA APROVADOS


PORRA: UMA AGRESSÃO DE GÊNERO

Há um texto sobre a celeuma em torno da música "eu te amo, porra" do cantor baiano que atende pela alcunha de "Tomate". Para além das questões morais, há um discurso machista e, perdoem-me a redundância, violento à mulher. Vale a pena conferir:

COMENTÁRIOS: PARA INÍCIO DE CONVERSA...

69 pessoas já comentaram a postagem sobre a sua experiência literária na escola. Descontando alguns comentários repetidos, minhas inserções, esse número deve reduzir para 60. Estou acompanhado os comentários de vocês. Algumas pessoas não postaram, mas ainda dá tempo...

QUESTÃO 2: O PAPEL DO PEDAGOGO COMO MEDIADOR

Uma outra provocação também muito interessante foi sobre o papel do professor como mediador entre o leitor e o livro. Maria José Palo define essa rede como "cadeia de mediadores" que controla o acesso da criança ao livro.  Sendo assim, o livro chega às mãos da criança via esses mediadores que selecionam, dão acesso, orientam (ou induzem) o que a deve gostar de ler.

Uma das formas de construir o conhecimento é dialeticamente, o que pressupõe discussão, cotejamento de ideias, formulação e reformulação constante, até chegar a um ponto em que o sujeito esteja satisfeito com a resposta ou então já tenha convencido a sua audiência.

Diante disso, pensei no papel da escola, deste espaço de construção do conhecimento e qual o seu papel a neste processo, entendendo processo como as etapas que compreendem todos os momentos de formação do aluno, incluindo a proposta filosófico-pedagógica da escola e culminando com a ação do professor na sala de aula. Entendo o conhecimento como desenvolvimento de potencialidades cognitivas que incluem o conhecimento conteudístico e o conhecimento de si, das próprias emoções do indivíduo, ambos indissociáveis, a meu ver.

O professor, portanto, tem a função de possibilitar esse desenvolvimento da criança através da escolha, por exemplo, de uma literatura que favoreça a sua melhoria. A escola deve contribuir na formação de um sujeito melhor, enquanto pessoa e enquanto parte de uma coletividade. Esta afirmação implica em um outro movimento reflexivo: o que significa esse melhor? Tem a ver com uma adequação do aluno à ordem (e que ordem é essa?) ou questionamento dessa ordem? Além disso, como fazer para que ele possa discenir sobre os caminhos possíveis a seguir e os desdobramentos dessa escolha?

As questões acima me chamaram a atenção para as narrativas em que o heroi precisa passar por uma desdita para viver as peripécias que o conduzirá a uma consciência e recuperação de um equilíbrio incial, como se estivesse retomando o destino que foi interrompido, que antecede a sua escolha equivocada. Parece-me que o papel do professor é mediar a escolha, mas não fazer as escolhas pelos alunos, a fim de que eles possam viver as suas peripécias e recuperar, através da consciência, de um estado (se é que existe) mais ou menos equilibrado. Os desenhos animados operam com essa estrutura. Pensem em o Rei Leão: Simba faz uma escolha (induzida, é verdade) de curtir a vida, deixando o espaço livre para que outros possam fazer aquilo que ele deveria estar fazendo, enquanto isso a des-ordem se estabelece. Ele vive as peripécias que incluem bastante sofrimento para, enfim, "cair na real" e voltar (fisicamente ou psicologicamente) ao ponto de origem, antes da sua escolha, para tentar retomar a ordem, o equilíbrio. Neste aspecto, o filme o Rei Leão é bastante pedagógico, pois ensina que as pessoas são responsáveis pelas suas escolhas e que se outros estão ocupando os espaços que deveríamos estar ocupando foi porque deixamos. Mas há sempre uma chance para recuperar... o problema é que o filme precisa fechar e ele encerra com um final feliz, mantendo o esquema ordem-desordem-ordem, enquanto que na vida real, esse estado de equilíbrio é sempre confrontado e constante (para a nossa alegria ou desespero) até a morte do sujeito:  ordem-desordem-ordem-ordem-desordem-ordem-ordem-desordem-ordem-ordem-desordem-ordemoudesordemmorte.

QUESTÃO 1: AUTOAJUDA

Algumas questões suscitadas na aula de ontem merecem aprofundamento. Uma delas foi sobre o conceito de autoajuda a partir da leitura e análise de duas narrativas que mostravam uma personagem figurativizada por uma abelha que buscava pela felicidade e por um conhecimento de si. O wikipédia nos dá algumas noções sobre o conceito, ainda que básico, de autoajuda, além de apresentar visões que ora criticam esse gênero ora o apoiam.


Depois da leitura, podemos discutir aqui ou na sala sobre o assunto. Qual a sua opinião sobre uma literatua infantil baseada na autoajuda?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ATENÇÃO PARA O PRAZO DE ENTREGA

Os vídeos e artigo de crítica deverão ser entregues na data prevista, 10/12. Caso haja necessidade de ajuste, a equipe deverá rever o material para atender ao propósito da disciplina.
 A menos que queiram passar o Natal e Ano Novo refazendo o trabalho, sugiro aos grupos que me enviem logo o vídeo e o artigo de crítica a fim de que possa apreciá-los e depois devolvê-los, se houver necessidade, a equipe para revisão.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

TURMA MATUTINO

No dia 22 de dezembro teremos uma aula específica sobre produção de texto científico que irá nortear o artigo que vocês eleborarão para a terceira nota.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A relação de contiguidade e similaridade na literatura infantil

Este breve texto é uma reflexão sobre a construção de sentidos por contigüidade e por similaridade e a sua aplicação a literatura infantil. Estes conceitos estão no livro Literatura Infantil: voz de criança, de Maria José Palo. 
Sabemos que o processo de significação é realizado a partir de operações mentais por associações. Estas, por sua vez, devidamente estimuladas, podem contribuir enormemente para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Não que seja uma novidade para elas, já que certamente elas fazem uso dessas associações no seu dia-a-dia de forma espontânea. Na escola, os professores podem construir espaços onde tais construções possam não apenas ser exercitadas, mas pensadas, sistematizadas.
Quando nos deparamos com uma situação/texto que nos exige uma interpretação, inevitavelmente faremos, muito rapidamente, operações em níveis diferentes. Em se tratando da criança, obviamente que todo esforço recai na tentativa de fazê-la operar com esses processos mentais para que possa desenvolver melhor as sua potencialidade cognitiva. Deste modo, um programa de disciplina pautado no exercício prático desta relação, contribuirá para o crescimento intelectual e sensível da criança.
Vejamos alguns exemplos com textos bem conhecidos:
Quando a criança se depara com o conto de fadas Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, terá de se movimentar, em pelo menos duas direções: metafórica e metonímica. Os signos que aparecem no texto, para que sejam compreendidos, precisam aproximar-se das referências deste leitor com o mundo social em que vive e este processo geralmente se faz por  contiguidade. Para provocar um processo de ruptura nesta instância, deve-se recorrer ao processo de remetaforização por similaridade, escapando do já-estabelcido. Daí o exemplo dado pela autora com o livro chapeuzinho amarelo de Chico Buarque. Há também essa tentativa em Marcelo, Martelo, Marmelo, quando Ruth Rocha nos apresenta uma personagem que desloca o significado sedimentado do signo socialmente aceito, convencionado, para construir novos signos mais próximos das coisas (na visão da criança). Por associação contígua, operando com as coisas no mundo real, o personagem rompe com a relação estabelecida para criar novas.
Embora estejam fixos, imobilizados no papel, os signos organizados linearmente no texto estão em constante movimento no plano mental do leitor. Como a criança identifica o lobo como sendo o vilão da história? Como o seu sentimento em relação à personagem emerge durante a leitura? Os teóricos lingüistas e semióticos falam de uma relação metafórica e outra metonímica, isto é, uma relação por similaridade e outra por contiguidade. A relação similar, metafórica, ocorre quando dois signos apresentam independência entre si, mas que, por alguma razão, fundem-se. Assim, o "lobo", no sentido denotativo, é um animal selvagem, assim como “vilão”, também com sentido denotativo, significa pessoa que pratica ações ilícitas. A pergunta é: como o lobo virou o símbolo da vilania, da esperteza, do perigo, da imoralidade, do mau-caratismo na cultura ocidental? Dá-se aqui uma construção simbólica por associação em que lobo passou a significar perigo, astúcia, etc. Por conta de uma associação deliberada, erigiu-se uma metonímia por conta da significação com base em coisas reais - sociais ou naturais. Vale ressaltar ainda que vilão, na Idade Média, era todo aquele que morava na vila, portanto, não era nobre. Vemos aqui um outro processo metonímico, já que o vilão como sinônimo de mau caráter representa todos aqueles que não tinham status nobre e que, de alguma forma, era visto, pela nobreza, como pessoas sem princípios, provavelmente por representar alguma ameaça. A relação metonímica favorece, assim, a construção de estereótipos.
De certa forma, apesar do lobo já ter se cristalizado no Ocidente com este significado, poder-se-ia dar outro significado para o signo lobo, caso se quisesse fissurar uma metáfora já sedimentada. A metáfora propicia inscrições mais subjetivas porque elas sugerem mais do que dizem, exigindo muito mais uma atitude responsiva do leitor porque oferece mais possibilidades de significação. Já a compreensão por contiguidade, depende do movimento de associação entre as figuras que são dependentes entre si, mas que se aproximam por possuírem elementos que se tocam. Assim, chapeuzinho vermelho, personificada na figura de uma menina, associa-se por contiguidade às meninas-leitoras que estarão lendo o conto. Esta relação tende (ou não) a ratificar um comportamento por identificação. A floresta é também um signo metafórico que simboliza perigo, mistério, risco, ratificado na representação metafórica do lobo. Apesar de nesta instância operarmos com a metáfora, podemos dizer também, em relação ao lobo, que a sua antropomorfização corresponde a uma tentativa de aproximá-lo de outro signo constituído no plano social,  o ser humano, o homem. Assim,  existiria uma relação metonímica nos contos de fada cada vez que os signos fossem atualizados por simples associação do leitor com o mundo real ou com a simbologia já internalizada,  e que no ato de leitura só precisam ser acionadas. Mas, e se o texto subverte as representações internalizadas? Penso que ainda estaria buscando uma referência no plano real, social, cultural do indivíduo. O que seria, então, uma literatura infantil libertadora? Segundo Palo seria aquela que permitisse maior liberdade para o leitor no processo de significação, que sugerisse mais do que desse pronto, que se realizasse no plano do signo, da palavra. Em outras palavras: a criança seria motivada a pensar a realidade como algo construído (e que portanto pode ser descontruído, para citar uma expressão do filósofo argelino Jacques Derridá) e não algo pronto através de um processo de fissura no plano linguístico, sígnico. Assim, a relação lobo = mau caráter existe por relação metonímica, por contiguidade, materializado no plano social devido a humanização do lobo (ou antropomorfização) sedimentando a relação, diga-se universal, lobo/homem/maldade.

domingo, 28 de novembro de 2010

PRAZO CRÍTICA LITERÁRIA OU FÍLMICA

Atendendo a pedidos, informo que o prazo de entrega do artigo de crítica literária foi dilatado para o dia 10/12, impreterivelmente, no mesmo dia em que deverão me entregar os vídeos. Por favor, administrem esse tempo, pois não haverá outra prorrogação.

Destaco, também, que vocês podem escolher entre 1) filme, 2) vídeo ou 3) literatura infantil ou juvenil. Em outras palavras: escolham apenas um dos três mencionados.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Postei, em um dos meus blogs, um artigo que escrevi há seis anos, fruto de uma conversa que aconteceu em uma viagem de ônibus (Salvador-Lauro de Freitas). O tema é ainda bastante atual e vale a pena ser discutido. É um assunto triste -a violência contra a mulher - mas precisa ser abordada  continuamente enquanto ela existir.

O PENTE E A MULHER

Sugiro a leitura do texto postada em meu outro blog cujo link segue abaixo.

 

sábado, 27 de novembro de 2010

PRÓXIMA AULA

Para a próxima aula:

Matutino: Trabalho em equipe com livros de literatura infantil (análise)
Vespertino: Debate sobre o livro de Maria José Palo
Noturno: Trabalho em equipe com livros de literatura infantil (análise)

Não vejo a hora de chegar este dia!

NARRATIVA ABERTA E NARRATIVA FECHADA

Buscando por respostas mais bem elaboradas sobre a narrativa aberta e a narrativa fechada, esclareço melhor a distinção entre ambas. Vimos que a narrativa fechada é aquela que retoma o ciclo da ordem, isto é, ela se fecha porque é dado ao leitor o final da história que pode se resumir a recuperação de um estado harmônico, de equilíbrio inicial. Já a narrativa aberta é um tipo de narrativa que se fecha no leitor (nos leitores) e não no texto, isto é, o final não é fornecido pelo filme ou texto literário, mas por cada pessoa que tiver acesso ao texto.


Se cada leitor propuser um final, significa dizer que as personagens passam a ser  conduzidas pelo leitor/espectador que se transforma em uma espécie de co-autor do texto visto. Por outro lado, pode ocorrer que o espectador-leitor torne-se crítico da intriga, pois ao entrar em contato com outros finais, torna-se inevitável a discussão. Se for com um grupo de amigos, cada um vai mostrar o motivo da escolha, levando-os a pensarem em suas próprias escolhas que, de uma certa forma, tem a ver com as suas expectativas. Pode ser ainda que o leitor-espectador se depare, ele mesmo, com vários finais, o que o levará a um factral de respostas possíveis e válidas, aumentando a sua capacidade de pensar dialeticamente.


A narrativa aberta é um tipo de narrativa que permite maior ação criativa e reflexiva do leitor, já que ele pode interferir, questionar, contribuir com a sequência da fábula. Sem dúvida, ela exige muito mais do leitor/espectador que sai de uma zona de conforto para uma outra de desacomodação. A narrativa aberta tende a fortalecer mais um espírito participativo, ativo, crítico do leitor do que a narrativa fechada.


Vale ressaltar, no entanto, que o fato do espectador ser convocado a participar do filme parece incomodá-lo, pois sabe-se o quanto é difícil agradar ao espectador-leitor quando a narrativa é aberta, o que pode ser explicado como um hábito, por reforço deste tipo de narrativas, como, também, por um descoforto devido a ruptura do processo de transferência. O leitor sente-se mais confortável ao não participar do desfecho, já que a sua participação o convoca para o mundo real do qual ele, provavelmente, é induzido a escapar.

Lembro-me que uma aluna me perguntou se era melhor para a criança uma narrativa aberta ou fechada. Esta é uma pergunta típica de pesquisador e a resposta não pode ser dada/fechada por mim, mas pela pesquisa...sempre a pesquisa, sempre. É ela quem vai trazer novos conhecimentos, novas propostas metodológicas. Enfim sem pesquisa só há mesmice, mediocridade. Quem vai responder a esta questão?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

EVENTO

Recebi por e-mail a mensagem abaixo:
Durante quatro horas, o Forte de Santo Antônio Além do Carmo será palco e platéia de atividades de artes plásticas, artes cênicas, música e dança realizadas por mulheres. Essa reunião de expressões culturais diversas, com o objetivo de enfatizar o protagonismo da mulher, é a proposta da Mostra Mulher!, que será realizada no dia 5 de dezembro, domingo, das 16h às 20h.

O evento é promovido pelo Curso de Produção Cultural da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, que traz à cena baiana o
desempenho da mulher que, em uma perspectiva cultural, demonstra a sua capacidade e seu lugar de sujeito em uma sociedade historicamente
conformada pela “guerra dos sexos”.

A Mostra Mulher! contará com uma programação diversificada, composta pelo Estúdio da Imagem, espaço onde mulheres de todas as idades poderão ser produzidas e fotografadas. As participantes terão sua imagem projetada em um telão no local do evento, através de uma parceria com o Labfoto. Haverá ainda o Painel das Artes, destinado às artes visuais produzidas in loco por artistas como Priscila Bona, Paula Magno e Nina Dantas e as Oficinas de dança do ventre e dança cigana, ministradas pela professora Roberta Campos; além de esquetes de teatro que abordarão a questão de gênero. Tudo isso ao som da DJ Mayan.

Durante toda a tarde, o público poderá assistir às intervenções de clown coordenadas pela atriz Felícia Menezes e conhecer a exposição coletiva “Mulheres em Movimento”, que transformou as ruas de Salvador através de imagens do mundo visto pelo olhar feminino, sob a curadoria da artista e professora Márcia Magno.

A Mostra Mulher! será encerrada com apresentação do Samba das Moças - grupo composto por seis mulheres que valorizam, através de sua música,
o samba de roda do Recôncavo Baiano.

A entrada para a Mostra Mulher! será gratuita, mas a organização do evento solicita 1 kg de alimento não-perecível, que será doado ao Centro Nova Semente, que atende crianças filhas de presidiárias.
link:
http://ibahia.globo.com/revistacultural/noticia/default.asp?codigo=235975

Os discursos falaciosos

Segundo a teoria da argumentação, a falácia é um recurso retórico que consiste em persuadir o ouvinte através de provas inconsistentes. Uma dessas formas de persuasão dá-se através do  argumentum ad populum (apelo ao povo), isto é, a "tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas." (wikipédia).

Li, recentemente, no blog de um amigo a postagem do texto abaixo sobre o qual faço aqui uma brevíssima reflexão:

 
"Numa ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saiu para jantar com sua esposa, Michelle, e foram a um restaurante não muito luxuoso, porque queriam fazer algo diferente e sair da rotina. Estando sentados à sua mesa no restaurante, o dono pediu aos guarda-costas para se aproximar e cumprimentar a primeira dama, e assim o fez.

Quando o dono do restaurante se afastou, Obama perguntou a Michelle: Qual é o interesse deste homem em te cumprimentar?

Michele respondeu: Acontece, que na minha adolescência, este homem foi muito apaixonado por mim durante muito tempo.

Obama disse então: Ah, quer dizer que se você tivesse se casado com ele, hoje você seria dona deste restaurante?

Michelle respondeu: Não, meu querido, se eu tivesse me casado com ele, hoje ele seria o Presidente dos Estados Unidos."



Acontece que, anos atrás, já tinha recebido uma mensagem semelhante, mas os personagens eram outros: Os Clintons. A diferença é que eles estavam passando próximo a um posto de gasolina que era de propriedade do ex-noivo ou namorado de Hillary. Bem, o resto vocês já sabem.

A questão é que a mensagem vem sendo veiculada como uma mostra do poder da mulher, mas é um enunciado extremamente falacioso, já que ele apenas ratifica, atualiza, retextualiza o dito popular "por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher", evocando assim a memória do povo.

Não é preciso dizer que o que está internalizado pelo senso comum, através do dito, é uma posição das mulheres no papel de coadjuvante,  já que o protagonismo seria dos homens, ainda que com a ajuda das mulheres. A propósito, Hillary perdeu as eleições para um homem, o que mostra que o "seu lugar" é atrás deles.  

Os textos veiculados na internet sobre os presidentes dos EUA e suas esposas mostram a influência que as mulheres têm sobre os homens, mas isso não é novidade alguma, mas como é mostrado parece que as mulheres fizeram uma grande revolução. A quem interessa mostrar um falso poder às mulheres e às pessoas em geral?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Scar: os elementos constitutivos do vilão


O vilão é um personagem que se opõe ao heroi quanto a conduta e aos valores morais. Em outras palavras é o personagem que adota um conjunto de regras de comportamento e de sentimentos que os membros de uma sociedade desvaloriza, em contraposição aos comportamentos valorizados e que são incorporados pelo heroi. O fato de o espectador valorizar as atitudes do heroi não significa dizer  que eles os vivenciem em seu dia-a-dia, até porque a complexidade da vida humana não pode ser resumida de forma tão linear como aparece nos filmes de animação, talvez isso justifique a catarse nos espectadores.

Sendo assim, a partir do vídeo acima, vemos que o personagem-vilão, Scar, traz elementos que são vistos pela cultura ocidental (somente?) como atitude de vilania: tirar a vida do próximo,  ser egoísta, trair, mentir, dissimular, alémlico, sem força violenta: a morte de Scar em razão de suas atitudes.

O maniqueísmo (bem x mal) aparece representado nas figuras (Mufasa x Scar e Mufasa x Simba). No segundo momento, o novo ressurge para resgatar o lugar da ordem.  As narrativas trazem uma estrutura comum: ordem - desordem - ordem, como mostra o artigo de Salete Santos (trabalhado em sala de aula) que analisa o filme O Rei Leão intertextualmente, sendo que a desordem é, em geral, trazida pelo personagem vilão, neste caso Scar.

Outros aspectos da personalidade do vilão (e do herói) poderiam ser destacados em outros momentos do filme. O final do vilão já é de conhecimento de todos: ele recebe uma punição pelas suas atitudes, muitas vezes culminada com a morte que, no vídeo acima, é minimizada em função do seu público.

Vale destacar um dos enunciados de Scar, quando, ao ser acusado de assassino por Simba, ele diz que é uma questão de perspectiva. Diante disso, considerando quem pronuncia o enunciado, podemos inferir que  a relatividade não é bem vista, já que quem fala do lugar da ordem não permite dúvidas, mas verdades que em geral são pronunciadas na ficção pelo heroi. De fato, a verdade depende da visão de cada um, do lugar de fala, mas no filme esta abertura não é mostrada devido ao fato, a meu ver, de ser para um público infantil e, talvez, os seus produtores, diretores, roteiristas não se sentissem à vontade em apresentar para este segmento social que a verdade depende do ponto de vista de quem vê. O que poderia acontecer caso este aspecto fosse considerado como valor? As crianças passariam a questionar os discursos dos pais, professores, do adulto em geral e isto parece não ser o propósito dos sujeitos que elaboram os textos destinados à criança.